Abril, 24 (9/28) – Um dia histórico, o Muro de Berlim

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Hoje é domingo, está bem frio, a máxima não passa dos 8 graus. Tenho que sair muito bem agasalhado, senão caio congelado na rua.

Aos domingos acontece a Flohmarkt im Mauerpark, o mercado de pulgas no Mauerpark. Pelo que li, é enorme e talvez um dos maiores em Berlim. Vou aproveitar que estarei em um parque onde um pedaço do Muro foi preservado e tentar entender bastante sobre este momento trágico da história da cidade.

Já estou na rua, estou bem agasalhado, mas minhas mãos não – luvas atrapalhariam mexer no celular, preciso deles para minhas pesquisas e mapas de orientação. Então, tenho a sensação de que meus dedos estão congelados e vão quebrar a qualquer momento.

Cheguei no mercado de pulgas.

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Não fazia ideia de que seria tão grande assim. Há corredores e corredores de barracas, tem de roupas, artesanato, antiguidades e – claro – comida, muita comida.

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Pesquisei no TripAdvisor as opiniões sobre esta feira, são as mais diversas possíveis. Alguns adoram, acham imperdível; outros, cheio demais e tudo muito caro – o que não combina com um mercado de pulgas. Minha conclusão: é um lugar que todos precisam visitar, é mesmo imperdível. Sentir este clima berlinense dá uma ótima ideia do modo de viver por aqui. No entanto, é um lugar caro, até as comidas são mais caras do que em outros lugares da cidade – e olha que quase tudo é vendido em barracas.

Por falar em clima, começa a chover, uma chuva leve. No começo eu nem percebo, só vejo algumas bolinhas brancas caindo, achei que fosse alguma coisa das árvores. Que nada, eram gotas de chuva congeladas! Dá para acreditar? O frio é tamanho que cai uma chuva congelada! E não é granizo, que é bem forte, mas gotas congeladas mesmo. Apesar do frio, estou gostando até da sensação. Olha as gotinhas no banco.

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A chuva foi rápida, vou andar novamente. Estava escondido em uma espécie de praça de alimentação, coberta.

O pessoal aqui é criativo demais, desde os anúncios até os shows.

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Do lado da feira, há um estádio de futebol, o Muro de Berlim passava bem do lado dele. Vou lá ver!

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É uma sensação estranha estar ao lado do Muro. Aproveito para a selfie do dia.

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Mauerpark inclui um ginásio de esportes, Max-Schmeling-Halle, corredores arborizados e espaços abertos como o que acontece o mercado de pulgas e shows de artistas independentes. É só chegar e fazer seu espetáculo. A foto abaixo já mostra um show diferente do que mostrei há pouco.

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Para minha surpresa, enquanto via este show – excelente por sinal, com violino, violão e percussão – vejo uma marca no chão.

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A maior parte das pessoas nem se dá conta, mas exatamente aqui passava o Muro de Berlim.

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Começo a entender melhor esta região. Foi feito aqui um corredor histórico, é a memória viva do antigo Muro. Mal comparando, lembrei da High Line de Nova York.

Entendendo ainda melhor, havia o muro externo, este é o tradicional Muro de Berlim que todos conhecem, e um muro interno do lado leste, para reforçar ainda mais a segurança. Este lugar que estou agora marca o local do Muro externo…

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… e agora vou entrar no corredor histórico do muro interno.

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Esta última foto mostra uma interrupção do corredor, os moradores locais não quiseram negociar seus terrenos para a preservação da história, acharam as propostas injustas, e seus direitos foram respeitados. Tudo isso está escrito em uma placa na lateral da cerca.

E o corredor histórico é muito bom, preserva tudo o que pode.

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Chego em um local bem mais amplo deste corredor, agora com vista para a Bernauer Strasse, rua marcada pela passagem do Muro. Criativa a forma de preservar a lembrança, parte do Muro está aqui, a parte derrubada para a construção de um edifício está bem explícita em sua fachada.

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Olha que interessante, estou bem em frente a uma das entradas da estação de metrô Bernauer Strasse.

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A passagem do Muro principal está sinalizada aqui tanto à minha direita…

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…quanto a minha esquerda.

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O que impressiona mais é ver as fotos desta mesma entrada de metrô fechada pelo Muro.

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As explicações históricas são muito bem sinalizadas em totens.

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Partes do muro interno como portões de acesso estão aqui preservadas…

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…assim como indicações de onde passava o Muro principal…

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… e até representações das torres de observação na época.

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É até um contraste, o lugar que hoje é de uma paz contagiante, tem até cachorros brincando, indica de forma esquemática os lugares em que ficavam os túneis de fuga escavados sobre o Muro. São estes retângulos horizontais na grama.

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Neste local gramado há um marco sinalizando o sofrimento humano, já que aqui muitas pessoas foram obrigadas a sair de suas casas. Foram demolidas ou lacradas por conta do Muro. Este marco conta com fotos, gravações e fundações preservadas daquelas casas e edifícios.

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O local, bem amplo, mostra ainda indicações esquemáticas do Muro principal e do muro interno sinalizados nas fachadas dos edifícios.

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Na sequência, a Escultura da Reconciliação.

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Esta escultura de Josefina de Vasconcellos clama pela reconciliação em locais fortemente destruídos pela Segunda Grande Guerra. Há mais cópias delas em outros lugares do mundo igualmente destruídos.

Em seguida vem a Capela da Reconciliação, uma construção oval coberta com vigas de madeira. Aqui havia uma igreja protestante, que foi demolida em 1985 pelo governo da Alemanha Oriental. Por que demolida? Porque estava na faixa da morte, aquela entre o Muro principal e o muro interno.

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Provavelmente eu teria conseguido todas estas informações nos totens e explicações que existem por aqui, mas preferi agora usar meu velho conhecido TripAdvisor e também a internet. É para não perder o costume (rs).

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Continuando a caminhada, uma parede imensa e muros protegendo algo lá dentro.

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Do outro lado da rua há um centro de documentação, lá é possível saber que aqui dentro há um trecho de 60 metros de comprimento do muro, com a faixa da morte, a torre de observação e postes de luz, tudo bem preservado, tal como estavam na época do Muro.

Felizmente neste centro de documentação há uma plataforma, lá de cima certamente é possível ver o interior deste espaço. Bem pensando, não é?

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Dá para ver também, claro, tudo à esquerda e à direita.

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Hora de descer, vou conferir a documentação existente aqui. Há filmes, fotos e muito mais. Uma aula de história para nunca mais ninguém esquecer do Muro de Berlim.

Ah, olha que interessante, há desenhos e mensagens de crianças. Olha só o país de quem escreveu esta aqui.

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Um pouco mais para frente, mais um trecho do muro, mas o interno.

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Para encerrar esta visita histórica, tenho um último local à frente, a estação de metrô Nordbahnhof. Na época do Muro, esta era uma das estações fantasmas de Berlim. Como assim, estação fantasma?

Várias linhas de metrô de Berlim Ocidental passavam por estações no território da República Democrática Alemã (RDA) e não podiam parar. Com o tempo, para evitar fugas, o governo da RDA construiu paredes nestas estações. Sem passageiros, ficaram conhecidas então como estações fantasma.

Na estação Nordbahnhof há fotos e textos mostrando tudo isso. Há até os locais no chão indicando a passagem do Muro.

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Hora de voltar para casa. No caminho, paro na esquina da Tucholskystrasse Auguststrasse. Li em algum lugar que quase tudo aqui estava bem destruído na época do Muro, felizmente tudo foi recuperado. E muito bem recuperado, diga-se de passagem!

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Depois da esquina, mais um dos Hofs de Berlim que faço questão de fotografar…

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… e ela, Fernsehturm, que me acompanha nesta viagem inteira. Até na hora de fotografar prédios que gosto.

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No blog de ontem falei de minha cachorrinha Victória, sinto falta de passar a mão nas costas dela. Hoje no metrô, não aguentei e brinquei com um cachorro. Sabe o cúmulo da coincidência? O nome dele é … Victor.

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É, dizem que coincidências não existem. Até o próximo post.

MapaAbril24

4 comentários sobre “Abril, 24 (9/28) – Um dia histórico, o Muro de Berlim

  1. Oi Fernando,vc já observou em algumas calçadas ,placas de metal,com o nome de pessoas que ali moravam e foram mortas pelo nazismo! Não deixe de ver p Check Point Charlie. Vc realmente aproveita a viagem!!! Parabéns! Abraço

    1. Oi, Maria Helena.

      Vi sim as placas de metal, são impressionantes! Quanta gente morreu! Pode ter certeza de que verei o Checkpoint Charlie.

      Que bom ver você viajando comigo.

      Beijos

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